sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pecado Estrutural

A ação do pecado no indivíduo e nas estruturas sociais.

..."E viu Deus que tudo era bom...(Gênesis 1.25)

A obra do Senhor estava concluída e perfeita,..."Impecável no projeto , perfeita no propósito...," mas nós estragamos tudo, ao transgredirmos a única lei por Deus instituída.
Ele nos deu liberdade de arbitrar entre sermos fiéis e permanecermos da maneira que fomos criados, ou desobedecermos à sua ordenança, (Gênesis 2.17), separando-nos totalmente, extinguindo a comunhão entre criatura e Criador.

O pecado no ser humano

"Pois todos pecaram e distituídos estão da Glória de Deus" (Romanos 3.23)


A falta de confiança em Deus foi uma tragédia.
Surge com esta o pecado, e este passa a ser inerente ao ser humano. Todos os descendentes de Adão e Eva nascem em estado de culpa. "Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis."(Romanos 3,12).
Grande e desastroso foi o prejuízo, perdemos a possibilidade de gozarmos de imortalidade,(privilégio adquirido ao injerir o fruto da árvore da vida), a autoridade de governar os seres naturais, a justiça, a santidade, a integridade, a pureza e o amor. Deixamos de ser semelhantes ao Criador, pois a nossa natureza foi totalmente contaminada pelo pecado.
"Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. (Romanos 7.19)

O pecado nas estruturas sociais


A humanidade se expandiu e passamos a viver em sociedade.
Mantemos relações sociais, culturais. econômicas, políticas e religiosas.
Com a existência do pecado, surge também a hierarquia entre nós.
Assim, o rico exerce influência, poder e dominação, enquanto o pobre sofre a escassez, a penúria, e vive em uma posição inferiorizada.
É possível perceber a organização destas relações como uma pirâmide, em que o ponto mais alto é ocupado por poucos e a base sofre uma aglomeração. Quem está em cima não quer descer, e quem está embaixo aspira por subir.
O capitalismo impera, elevando ainda mais os poderosos e massacrando os menos favorecidos.
A falta de amor é uma constante nas relações dos homens com seus pares e com a própria natureza.
Além de todo o indivíduo ter inclinação natural para o pecado, com suas relações constituem estruturas pecaminosas.
Por meio das tramas, dos subornos, roubalheiras, egoísmos, da arrogância, da ambição, indivíduos pretenciosos, impiedosos e devassos buscam lucrar em tudo e a qualquer preço.
Os profetas que nos antecederam já denunciavam a corrupção que envolvia todo o sistema: prícipes, juízes, a elite e a família, por muitas vezes, até os sacerdotes estavam inclusos nas acusações.
"Durante todo seu ministério, Oséias vagou em meio à anarquia, à revolta, ao derramamento de sangue, às contendas, aos comportamentos imorais, aos lares desfeitos, ao ódio entre classes, aos tribunais corruptos, às extravagâncias, às bebedeiras, à escravidão e à superficialidade religiosa. A idolatria, a incúria e a ímpia satisfação própria, juntas, formavam um fardo intolerável. Os sacerdotes falharam e nivelaram-se aos bandidos e agitadores. A adoção era formal, profissional e sem sentido."*
Hoje não é diferente, há estruturas sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas que são pecaminosas, produzem sofrimentos e opressões pelo próprio funcionamento da sua lógica. Quem entra nelas (nestas estruturas), passa a fazer parte e não é possível mudar individualmente.

A função da Igreja diante do pecado estrutural

Nao devemos nos calar diante da corrupção e muito menos enriquecer este sistema corrompido.
Como Igreja, não devemos nos preocupar apenas conosco, mas com todos, denunciando os erros da estrutura, nos esforçando sempre para não sermos participantes deste círculo vicioso.
É preciso contribuir com a conversão da humanidade para que mentes e corações sejam transformados pelo poder salvífico de Cristo, o único que pode devolver ao homem a integridade, justificando-o e santificando-o.
Temos que permitir ao Espírito Santo que nos faça novamente semelhantes ao Eterno, irrepreensíveis e inculpáveis, sendo cumpridores da mais linda ordenança: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todo o teu entendimento." "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus22.37-39)
Assim, de acordo com este mandamento, não seremos egocêntricos, pensaremos no bem comum. E imersos na graça do Altíssimo poderemos nos desvencilhar das estruturas corrompidas, denunciando o pecado e apontando Aquele que tira o pecado do mundo.

*(Todas as parábolas, Hebert Lockyer. 6º edição/2006)

Josi Gomes- Teologia